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Everest, a maior montanha do mundo. Para muitos ela não significa nada. E eu me incluía no rol de pessoas que não tinha ideia o significado desta montanha, mas às vezes iniciamos uma caminhada e não temos a menor ideia de onde ela vai nos levar.

Hoje me considero um montanhista experiente, mas em 2003, não tinha ideia deste mundo. Esta minha história é a prova de a frase, que gosto muito, faz sentido:

A jornada de mil quilômetros começa com um simples passo.

Lao-Tzu

Foi assim que comecei. Queria fazer uma mudança e iniciei fazendo algumas trilhas. A primeira foi com a Pisa trekking uma travessia de Salesópolis a praia de Boiçucanga, como era um iniciante, eu não tinha nenhum equipamento, calçado ou roupa apropriada, mas fui assim mesmo.
Na volta fui comprar alguns equipamentos, roupas, calçados e continuei me aventurando em mais e melhores trilhas. Fui também aprender sobre montanhismo e fiz o CBM (Curso básico de montanhismo) no CAP em 2007.
A partir daí os voos foram cada vez mais altos. Fiz Machu Picchu, cordilheira blanca, Aconcágua e muitas outras.

A ideia

Em uma conversa com amigos surgiu a ideia de fazer uma expedição ao Everest. No início eram 12 pessoas e no final só tinha eu.
Apesar disso, a ideia de uma expedição ao Everest estava impregnada em minha mente,  apesar que me achava ainda inexperiente em alta montanha e por ir pela primeira em um país com uma língua que não entendia continue com o plano.

Tudo me fascinava e tive a grata surpresa que um dos participantes iniciais , Sr Jorge, topou ir comigo.
Assim começou a maior aventura de minha vida, até então, sim pois era 2011 e já se passaram vários outras aventuras depois desta.

Nesta época, eu já sabia que seria um viajante independente, ou seja, faria tudo por minha conta.

Contudo por estar indo para um lugar totalmente desconhecido, ainda sendo inexperiente em alta montanha eu quis ter um pouco mais de segurança. Através de meus contatos, consegui uma agência (Explore Himalaya)  em Katmandu para “garantir” a minha segurança, porém não queria fazer parte de um pacote e sim fazer o meu próprio caminho.

Contratei um guia, que falava inglês, eles arranjaram o transporte até Lukla, hotel em Katmandu e todo o resto ficou por minha conta.
Também queria fazer além do tradicional trekking ao acampamento base do Everest, passar pelo Chola pass (o passo mais alto do mundo 5420 metros) e ir para Gokyo RI.  Isso faria um trekking de 160 Km e fora dos pacotes tradicionais.

Para ter bom tempo, não ter muito turista e custos menores escolhi ir no início de novembro.
O sr Jorge, como o chamamos carinhosamente, topou o plano e lá fomos nós.

Pegamos o voo para Doha e depois Katmandu. Como compramos as passagens em momentos diferentes, a conexão com Katmandu foi separada.
O primeiro choque foi o aeroporto de Katmandu: pequeno e muito simples. O pessoal da Explore Himalaya estava me esperando e fomos para o hotel. Nos hospedamos no bairro dos turistas, Thame, um dos melhores bairros de Katmandu, mas você precisa levar em consideração que o Nepal é um dos países mais pobres do mundo.
Tínhamos 2 dias para acertarmos os detalhes, equipamentos, logísticas etc. Para nossa surpresa, começou nosso azar. O tempo no Everest estava muito ruim. Não havia voos, chovia muito e tudo isso estava assim há quase uma semana.

Nossa primeira tentativa foi um fracasso total. Passamos o dia inteiro no aeroporto regional, ou seja, uma rodoviária bem ruinzinha e nada de voo. No outro dia ficamos no hotel mas sem a possibilidade de voar.  Com a previsão só piorando, resolvemos ir para Pokhara (Annapurna) por uns dias, para esperar melhorar o tempo.
Embora foi melhor que ficar parado em Katmandu, o tempo não ajudou e não pudemos sequer ver o Annapurna.

Três dias depois voltamos para Katmandu e ficamos esperando para poder pegar o voo para Lukla, desta vez nos hospedamos em um hotel fora da cidade e no domingo recebemos um aviso que poderíamos voar.
Finalmente! após uma semana de espera começava o nosso tão sonhado trekking para ver o Everest.

Pegamos o voo e tivemos uma amarga surpresa, pois em consequência do mal tempo, eles estavam voando para uma montanha perto de Lukla e depois faríamos um voo de helicóptero para realmente chegar.

O aeroporto é um “campo de futebol” gramado sem a menor infraestrutura, quando descemos do avião eu gelei. A pista começa em um barranco e termina em outro. Não tem como errar ou simplesmente já era, morte na certa.
Aeroporto? Não existia. Chegamos e ficamos ali, sem saber muito o que iria acontecer.

Presenciamos alguns quase acidentes. Um dos aviões tocou na pista e arremeteu, foi um momento muito tenso.
Tinha muitas pessoas esperando e já estávamos preocupados em como passar a noite ali, pois não havia nada.

Os helicópteros vinham e iam e nós ficando. Ninguém para dar nenhuma informação e o tempo passando e o clima só piorando.

Depois da confusão conseguimos embarcar no último voo do dia. Quando subimos em direção de Lukla o tempo estava muito fechado e tivemos algumas dificuldades. Felizmente deu tudo certo e iniciamos a caminhada morro acima até Lukla, que foi debaixo de uma chuva fina.
E, finalmente, depois de toda esta saga, chegamos à Lukla depois do anoitecer, mas pelo menos estávamos iniciando nossa caminhada.

Ouvimos relatos desanimadores de pessoas que estavam presas em Lukla por mais de 10 dias, outras que fizeram o trekking sem ver nada, só chuva e mal tempo. Não havia muita esperança no ar.
E para piorar talvez não poderíamos iniciar nossa caminhada, pois nosso guia não consegui chegar e, com a piora do tempo, não se sabia o que poderia acontecer.

Depois de algumas horas, conseguimos um guia. À princípio, nós havíamos decidido carregar nossas mochilas, entretanto para contratar um carregador custava US$ 100,00 por toda a viagem. Diante de tudo que passamos, não tivemos dúvidas: nada de sofrimento. Chega o que já havíamos passado esperando por uma semana.

A cada dia que passa, a brincadeira se torna mais e mais difícil devido à altitude.

O caminho segue subindo lentamente, uma descida para um riacho glaciar e sobe na moraina da geleira Khumbu. Depois, no topo em um platô, tem um lugar muito especial, onde ficam os totens com as lembranças e homenagens aos alpinistas e sherpas perdidos no Everest.

Podemos ver muitas montanhas famosa como Pumori e Nuptse, só não o Everest ainda. Continua uma subida pela moraina até chegar em Lobuche, onde chegamos no final da tarde e a temperatura despencou para -10 graus a noite.

Aqui já havia várias pessoas passando mal e algumas tiveram que descer de helicóptero.

Acordamos com um frio congelante, quase não dava para ir lá fora. Esperamos o sol chegar e iniciamos a caminhada para ver finalmente o Everest.

A trilha para o Everest é bem penosa por estar na moraina e beirando a parede da montanha. A trilha pode mudar a cada estação dependendo do movimento do glaciar e continua assim até chegar em Gorak Shep. Deste ponto é possível ver a trilha do Kala Patar, mas não seu cume, paramos para almoçar e descansar e logo após continuamos a caminhada através da moraina até o acampamento base do Everest.

Para quem não sabe moraina é o acúmulo de rochas e pedras que a geleiras arrastão ao se deslocar é um tormento caminhar, pois tem pedras de todo tamanho e não se dá um passo igual ao outro.

O acampamento base do Everest estava vazio nesta época do ano, pois não é a temporada de escalada.

Eu fiquei muito surpreso ao ver que ele fica sobre um glaciar. Vi algumas avalanches e os penitentes que são formações de neve encontradas em altitudes elevadas. Eles tomam a forma de lâminas alongadas e finas feitas de neve ou gelo endurecido, bem espaçadas e apontando para cima que fazem o caminho para chegar à cascata de gelo (Ice Falls),  que é simplesmente monstruosa. Não pudemos chegar muito perto devido as grandes crateras existentes nesta época do ano.

Essa foi a noite mais fria até aqui. Pela manhã foi interessante ver o pessoal quebrando o gelo dos canos, para tentar obter água. Depois do café da manhã iniciamos a trilha para o Kala Patar, são 5550 metros, recorde de altitude nesta caminhada.

A vista é inexplicável. É possível ver em um só panorama os gigantes do Himalaia: Pumori,  Nuptse, Lhotse, Everest e de quebra o Ama Dablam ao longe. Toda a face sul do Everest é visível mostrando a majestade desta montanha.

Não queria descer, mas o caminho ainda só estava na metade. Voltamos para Gorak shep e descansamos.

Embora tenha sido mais uma noite danada de fria, a sensação de dever cumprido , sonho com o Everest fez ela ser mais suportável.

Já iniciamos a caminhada muito cedo. O sol não havia aparecido ainda e estava bastante frio. A primeira parte é um platô muito aberto e com uma inclinação bem pequena. Assim que chegamos no pé da montanha tudo mudou radicalmente. É uma escalaminhada super ingreme entre as rochas, passamos de uns 4800 até 5420 metros em um tiro só.

A cada metro o frio só aumentava e chegamos no Chola pass com neve e por volta de  -15 graus. A entrada do Chola pass foi bastante perigosa, pois é uma trilha estreita com um buracão, se escorrega-se não iria sair vivo e nós não estávamos com crampons.

Andamos com cuidado e tudo deu certo. Logo entramos em um glaciar lindo e sem muita dificuldade, só o frio intenso.  Ao chegar no final havia uma parede bem complicada, onde ficamos preso por um pouco tempo devido a dificuldade das pessoas em subir ou descer a encosta da montanha, mas passamos tranquilos.

No final do Chola pass é uma das descidas mais íngremes e perigosas. É um amontoado de pedras que deslizam e não tem muito como controlar. A descida, embora seja aparentemente mais perigosa, é muito mais fácil que a subida, pois são dois passos para cima e um para baixo.

Após umas duas horas chegamos em um terreno firme e após este ponto a descida até Thangnak foi tranquila.

Estávamos, desde Gorak shep, sabendo que o tempo estava mudando e uma a visão das nuvens cobrindo o vale (veja foto) nos fez pensar muito no início da trilha, onde tínhamos ficado uma semana preso sem poder voar para Lukla. Como tínhamos os voos de volta já marcados, não poderíamos correr o risco de ficarmos presos, então resolvemos abortar a ida para Gokyo e voltarmos.

Com a melhoria no clima e nosso principal objetivo alcançado tivemos o tempo para conhecer Katmandu e suas principais atrações.

Todas elas foram atingidas pelo terremoto de 2015 em maior ou menor grau e, por isso, estão em recuperação. O governo Nepalês, mesmo com as dificuldades inerentes a um dos países mais pobre do mundo está trabalhando, mas tudo anda devagar.

Durbar Square:  Atração principal da cidade velha reúne templos e construções do século XII,

Boudhanath Stupa: É um dos lugares mais sagrados dos budista, além de ser a maior stupa do Nepal.

Bairro Thamel: Fica na parte mais antiga da cidade e é o certo dos turistas. Aqui você encontra tudo que precisa para sua viagem ao Nepal, desde hotéis, restaurantes, equipamentos, roupas, lojas de antiguidades e todo tipo de souvenir.

Um aviso: No Nepal tudo é cópia (falso) e em Thamel é o centro, então você será enganado em tudo que for fazer, tome muito cuidado.

Swayambhunath Temple: Conhecido com o templo dos macacos. Instalado no topo de uma colina onde um stupa branca com olhos de Buda domina as construções.